— Tua mala, encha com suas sutilezas, vamos viajar...
E se tua alma não couber, desfaça seus desencantos, deixe espaço
coloque aí tudo que te servirá na rotina que devaneia realidade
é isso que vamos buscar.
No acaso, faço caso que você me acompanhe
seja meio espírito, meio homem!
Tua alma que caiba na palma do sonho!
E se houver delírios repentinos não estranhe
não é anormal prender o tempo num instante,
prender o instante numa estante
e desprender depois de tanto tempo...
Não é preciso atraso
nem que nademos no raso canto do rio infindo
quase extinto pra fora do pensamento,
mas sempre cheio pra quem chega insaciável de parnaso.
Minha síndrome não é rara, não se espante
apenas me intrometerei errante
em sua psique, apenas.
Não ajo de má fé, eu só tento entender
a vida do andante,
quase figurante da própria riqueza.
Sentimento buscarei, e você o sentirá ainda mais
pois de chuva e vento já basta ao corpo,
queremos tardes sinceras em harmonia
porque ali um espelho jaz.
Vem comigo descobrir ainda outros céus
e na beleza de um véu guardaremos o que é nosso
e toda vida e frutos seus
valerão ao que posso
ao que pode alcançar.
Já nos basta a respiração?
Já nos falham os pés?
Não, bom amigo
Bendito sejam nossos olhos
porque não se cansarão de contemplar todas maravilhas.
Santas sejam nossas asas
que não se cansarão de sobrevoar perfeições.
Vamos até o fim da estrada,
até onde não mais curvas aja.
Já encheu de alma a tua mala?
G.A.


