Todo meu amor é ostentação de vida
tudo que posso, não posso ou devo fazer
devo tantas coisas que com esse saldo iria para o inferno
com ótima reputação.
Amor,
essa idiotice armada por Deus pra nos lembrar nossa inferioridade
pra lembrar nossa perversidade
o pecado pai de todos nossos pecados.
Meu bem é ter rancor nas artérias e ter o tédio nas veias,
meu bem é ver esse dia sorridente na angústia exasperada de um mal por vir,
é salutar toda essa mediocridade,
olhos vendados
cabem à nossa poética imagem de justiça.
Não existe porventura um oceano de virtudes
Pra me banhar por lá?
Tudo está errado nesse mundo,
tudo que é o certo está fora da mente
enquanto os devaneios são loucos pesares de homens doentes.