terça-feira, 24 de abril de 2012

Manhã de 24 de abril de 2012

          Mal posso esperar o tempo de sair daqui, não daqui como lugar mas como estágio: meu modo de expressar está mudando (e o que não está?) tudo toma rumos divergentes se comparados aos iniciais, começo a me despedir das personagens planas e isto me afasta do real. Com pequenos e difíceis passos   inicio minha caminhada rumo a... bom... talvez à verdade, talvez à loucura mas que me encontre por aí.
        Estes pequenos passos me rendem linhas de sujeiras num livro de acontecimentos, suposições e questionamentos  em páginas infinitas. Arrependerei disso?
        Os questionamentos não me confortam , me estressam os versos sempre rimados com o som da queda dessa chuva que cai cada vez mais forte de qualquer nuvem de imaginação fértil , a tempestade tantas vezes refrescante causando um sentimento agradável ,  se torna uma preocupação constante , o texto em primeira pessoa é só mais uma consequência disso.
       É difícil se ver confusa e nublada enquanto todos te vem sorridente e ensolarada, fingir é um mal necessário:
      A menina que sorri o tempo todo e é agradável mora numa casa com outra menina que é estranha e  vive a escrever, se tornaram inimigas porque enquanto uma é a outra não é , só uma pode morar ali mas ambas adoram a casa , vivem a brigar e a brigar , parece um hospício onde moram essas essas garotas mas sabem elas ser uma só .
       Ainda falo em primeira pessoa e da primeira pessoa, mas no fim da  prosa há ainda um vestígio do que precisa ser dito que só cabe em poética( é assim que me vejo fazendo) :

Há dois caminhos  a seguir,
dois caminhos distintos,
ambos são infinitos.
O Norte é o querido
o Sul é o imposto
um é composto de um amor doído
o outro causa desgosto.
Há dois lados como sempre
o sempre a muito me espera
Desespera o fato:
de  o Norte ter
de somente este norte querer
e ainda estar aqui
entre estes dois rumos
sem saber o porque 
sem conseguir sair.
                                                                                    G.A.


Manhã de 21 de abril de 2012

          O balão que guardava minhas experiências já se encontra totalmente murcho, escutei certa vez que quem escreve descreve suas experiências mesmo inconsciente de que o faz, concordei plenamente mas hoje rogo para estar errada. Não entendo a escrita, as vezes tão boa amiga, as vezes uma farsante e as vezes tão somente o necessário. Me acorrentei às palavras e não desejo a libertação destas mas me encabula a possibilidade de que o afastamento seja imposto.
          Coisa alguma tem muita importância como está manhã: o céu demonstra sua maestria num azul inatingível, provoca um contraste agradável com o verde dos coqueiros,  da mangueira e ao longe dos eucaliptos, um azul impermeável e infinito, quase sinto inveja contudo me coloco em meu lugar de observadora e continuo, o sol rachante colidia com tudo fazendo cada coisa num tom diferente, o calor não estressa nada ele só deixa tudo mais quente, mais claro. Há roupas no varal e um vento indeciso de vez em vez ao toca-las transforma o imóvel em dança, essa dança acalma. O silencio que antes era interrompido apenas pelo soprar do vento agora também é cessado pela TV ligada mas o que não cessa é a magia desta manhã, estranha manhã.
          Magnífica coesão de cores e formas. Talvez algo de bom esteja acontecendo agora, talvez alguém esteja feliz ou esteja cantando um belo blues ou ainda exista alguém que encontre em seu frágil mundo a magia de uma manhã de sábado que não permita o seu afastamento do que mantém sempre com a mesma magia da manhã.

                                                                                    G. A.

terça-feira, 17 de abril de 2012

10:46 da manhã de um dia de abril


                
               Passaram-se mil séculos desde o último conto , mil porquês a mais tenho agora a adicionar. Os cabelos mais curtos, cacheados e volumosos esvoaçam de vez em vez com a ida e vinda do vento do ventilador. “Esta jaula está cheia de maritacas” impossível foi conter o pensamento, elas reagiam ao último efeito sonoro com um outro ainda mais auto, elas querem sair daqui, querem um bosque com outras espécies .Papagaios malditos, calem-se! Concentrem-se! E tornem-se um mesmo tom de verde.
                Não gosto da jaula, odeio o verde,  amaldiçoo meus grunhidos . Meus sonho de voar se restringiria então somente aos limites da gaiola? Não sei voar , mas a vontade me faz preparar para a primeira oportunidade de fuga e que eu me esborrache no chão mas que o chão seja enfim um palco sem grades.
                                                                                   Gabriela Alves 

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Uma Máquina

     "Uma máquina estragada de digerir conhecimento" foi o que ele disse, foi o que me fez pensar por mil horas, concordando plenamente, arrependendo profundamente da vida, do Eu ainda desconhecido, escapando através do choro. Eu ainda tenho o choro e ele não o tem.
    Mil horas se passaram e deixaram dúvidas como em todas as horas mas ainda deixou a dor: na cabeça, no peito, nos dias. Há muito pesar na estrada, há muitos perigos na mesma, mas a estrada eu faço, faço também os perigos e minhas próprias armadilhas indesejadas mas necessárias ao caminho. Desnorteio-me com meus pensamentos e a lua sempre chega para me encabular com sua beleza e  com meu modo débil de observar o mundo, se ao menos fizesse outra coisa me perdoaria, no entanto arde a rotina de fragilidade, de culpa, de olhos vermelhos, de  sorrisos falsos.
    Exponho-me agora de forma plena: Sou uma máquina ! Não importa o quanto tente lutar contra isto o mesmo sempre será imposto, o ser humano resolveu viver em sociedade e desde então somos máquinas para uma suposta ajuda mútua, desprezíveis seres que fingem uns aos outros "o ser . o ter, o estar, o amar ..."  girando, correndo, mentindo, sendo o que não se deseja pensando tão somente que isto o que vivemos é a única opção, como uma sina por alguns desejada, por outros arrastada e ainda motivo de riso para quem rege este universo daqui da Terra.
    Há quem acredite em forças superiores e estes se agarram nesta crença pra ter ainda esperança , há quem não acredite em nada e lavam esta vida como uma simples consequência e ainda existem aqueles que observam e tentam entender o motivo das coisas todos estes possuem pleno conhecimento do que são, a diferença está em que grupo se encaixam, no grupo que vê tudo isso como uma barganha para um outro lugar melhor ou no grupo que só se realiza por aqui e não têm nenhuma outra visão ou ainda, aqueles que não têm opinião e vivem perto do que querem mas por manterem um elo com o criterialmente humano não conseguem evoluir. A diferença está em quantos obstáculos se cria para si mesmo e se o próprio Eu é o obstáculo.  
                                                                                                       Gabriela Alves

domingo, 8 de abril de 2012

Informações soltas quase unidas pelo sentido:


O dia começou a ficar quente
nada está aquecido aqui
o sol brilha e há poucas nuvens no céu
tudo está bem iluminado
não, não está. Eu não estou
Nada vai melhorar e nada terá fim
Falta coragem e sobra medo
Tudo é fingimento
Tudo é teatro
Teatro mal encenado
mal escrito e afinal nesse teatro é impossível seguir à risca
as falas, as ações, os sentimentos, as emoções
não conheço o diretor
ele é um mandão
nunca nos aparece
e seguir o papel mata mais do que a possível bronca do possível diretor
Há muitas perguntas
e as respostas são necessárias
mas onde estão?
no fim do arco-íris ou na volta pra casa após o fim da peça?
Nada conforta mais que o papel em branco
Jogo de informações sem julgamento
A vida é um vinho ruim
vinagre eu diria.
Amarga  Vida em sua apoteose ou melhor em suas apoteoses
Não há nada a fazer depois do desengano
ou será que isso é mais uma desculpa?
metáforas! metáforas! Onde estão?
definições certas eu diria
eu diria algo sobre ironia
aquele riso mau disfarçado em palavras
Nada importa
e nada é só mais uma metáfora para aquilo que se deseja e não se tem,
necessita mas não se alcança
pode ser uma tentativa de esconder algo
ou apenas mais um sinônimo de tudo
Nada é o não contido , a inexistência da ironia consigo mesmo
o eu que sabe que nunca encontrará seu nada
Nada mais importa.
                                                                        Gabriela Alves


sábado, 7 de abril de 2012

Diálogo


              Céu nublado ,
              pacata cidade:
              - Continua bem
              Agradeço por perguntar
              Só ,forço-me à vã beleza
              Na eterna folie  da noite
              (H)á noite
              mim                                   
             - Enfim ...
              do início do fim , nada passa.
                                     

                                                                                            Gabriela Alves Campos 

Algo sobre um início


    — Seis e quarenta da manhã , eu estava na cozinha , a minha frente uma caneca com leite e café , também haviam torradas com queijo . A janela aberta deixava um vento frio entrar e a luz ainda fraca do sol fazia com que as cerâmicas desde já ganhassem um tom alaranjado .
        Mastigo , as torradas têm gosto de nada , o leite com café tem gosto de nada . A mochila pesa , o peso do suposto conhecimento que carregaria nas costas , como um burro que não reage a enorme carga que carrega por assim ser ensinado .
        Quase sete da manhã e o portão geme ao abrir , o sensor da lampada do poste capta a presença de luz solar e apaga a ultima lembrança da noite . As arvores balançam com a ordem do vento , como uma orquestra regida por um maestro velho .
        Ando , meus pés guiados pelo costume com aquele caminho mais conhecido que muitos outros. A escola : o tédio das aulas , o tédio de esperar o retorno À casa , o tédio dos professores , o tédio de esperar crescer pra se acostumar  e o tédio de ter tédio .
    — Algo diferente neste dia : o recreio dentro da sala de aula  ,uma garotinha comia sanduíche , fazia frio , os colegas brincavam do lado de fora  e a estranha Carolina pela primeira vez escrevia , escrevia num caderno rosa , nas palavras algo sobre o que tinha acontecido no seu dia até o momento .
                                                                                               
                                                                                                           Gabriela Alves