terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Sobre mistérios



 
     As vezes não reconhece, pensa que vai e já foi, pensa em ficar e estagnada continua pensando continuamente e sem eficácia . A vida é um mar revolto de rosas, de espinhos e as vezes de chuva. Para. O desvínculo obtido com o real se faz tamanho que mina a dislexia aguda e poética. Vaz uma rima.
       Se tranca no quarto, não come nem rega as flores, mal se entende e estende um tapete no chão. Ali fica, horas passam em sua mente enquanto os minutos ordinários se vendem no relógio. A mãe procura seus conhecimentos gerais num pedaço de papel bem feito com compromisso, os acha, se satisfaz e vai embora. O pai vira a cara, não reconhece. A coitada se esconde atrás dos muros que a separa dos abismos queridos. E segue até a próxima parada de consciência onde senta pra tomar um café.
       Vê no céu seus feitos, sorri quieta, compõe um solo que ecoa pelo espaço, por todo o espaço, por todo o seu tempo. Pensa que foi e está indo, pensa que ficou mas a tendência é o movimento. Enquanto seus ouvidos se manifestam ausentes sua boca aguarda oportunidade de gritar  encantos, findando seu caminho sobre seus mistérios prediletos, o mais alto que puder pra fazer do céu  um reflexo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário