sábado, 1 de dezembro de 2012

23:23






 Minhas armas químicas quase acabadas em meio a sanidade de propostas impostas por esses escritos nas paredes, a existência do insubstituível se resume a sutileza dessas propostas entregues ao acaso de um choro, um gemido, de uma vergonha  invejosa.
     Morri esses dias a mercê de uma crítica, a mercê da visão de um desconhecido. Esperei no tal túmulo um riso, um "ela foi um bem pra mim"e até com veemência "olha! ela está se mexendo.." não houve nada, choraram os familiares, os conhecidos levaram flores e o meu amor nem um poema me fez. Pedi a deus uma entrada no céu ele me sorriu interrogativo e para perdoar meus erros mandou-me de volta ao insano e improvável.
     Voltei um pouco tonta furando aquele buraco escuro pra florescer estranha como antes e talvez até mais, peguei uns trapos e fugi da dor daquela morte hipócrita, obscura, infernal. Tomei  um tal remédio para sustentar aquele peso incrédulo nos ombros, na mente. Não adiantou. Morri tantas vezes mais, sóbria de erros.
     Eu poderia contar sobre minha experiência entre tantos céus e tantos infernos, mas não saberia decifrar tantos detalhes mesquinhos que provei pelo caminho, não poderia me julgar melhor ou pior por ter pisado em dúvidas e estranhamento, um momento só de pouca lucidez e muita ganância. Não me adiantou de nada tantas vidas e tantas mortes nesses caminhos infindos de perdição. Porque não importa o que eu faça nem o banho frio me tira essa embriaguez de vida, infelizmente divina. Mereço mais a morte ciente e em paz, na sobriedade eterna da respiração fazia, nula e infelizmente divina.

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