sábado, 7 de abril de 2012

Algo sobre um início


    — Seis e quarenta da manhã , eu estava na cozinha , a minha frente uma caneca com leite e café , também haviam torradas com queijo . A janela aberta deixava um vento frio entrar e a luz ainda fraca do sol fazia com que as cerâmicas desde já ganhassem um tom alaranjado .
        Mastigo , as torradas têm gosto de nada , o leite com café tem gosto de nada . A mochila pesa , o peso do suposto conhecimento que carregaria nas costas , como um burro que não reage a enorme carga que carrega por assim ser ensinado .
        Quase sete da manhã e o portão geme ao abrir , o sensor da lampada do poste capta a presença de luz solar e apaga a ultima lembrança da noite . As arvores balançam com a ordem do vento , como uma orquestra regida por um maestro velho .
        Ando , meus pés guiados pelo costume com aquele caminho mais conhecido que muitos outros. A escola : o tédio das aulas , o tédio de esperar o retorno À casa , o tédio dos professores , o tédio de esperar crescer pra se acostumar  e o tédio de ter tédio .
    — Algo diferente neste dia : o recreio dentro da sala de aula  ,uma garotinha comia sanduíche , fazia frio , os colegas brincavam do lado de fora  e a estranha Carolina pela primeira vez escrevia , escrevia num caderno rosa , nas palavras algo sobre o que tinha acontecido no seu dia até o momento .
                                                                                               
                                                                                                           Gabriela Alves

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