O balão que guardava minhas experiências já se encontra totalmente murcho, escutei certa vez que quem escreve descreve suas experiências mesmo inconsciente de que o faz, concordei plenamente mas hoje rogo para estar errada. Não entendo a escrita, as vezes tão boa amiga, as vezes uma farsante e as vezes tão somente o necessário. Me acorrentei às palavras e não desejo a libertação destas mas me encabula a possibilidade de que o afastamento seja imposto.
Coisa alguma tem muita importância como está manhã: o céu demonstra sua maestria num azul inatingível, provoca um contraste agradável com o verde dos coqueiros, da mangueira e ao longe dos eucaliptos, um azul impermeável e infinito, quase sinto inveja contudo me coloco em meu lugar de observadora e continuo, o sol rachante colidia com tudo fazendo cada coisa num tom diferente, o calor não estressa nada ele só deixa tudo mais quente, mais claro. Há roupas no varal e um vento indeciso de vez em vez ao toca-las transforma o imóvel em dança, essa dança acalma. O silencio que antes era interrompido apenas pelo soprar do vento agora também é cessado pela TV ligada mas o que não cessa é a magia desta manhã, estranha manhã.
Magnífica coesão de cores e formas. Talvez algo de bom esteja acontecendo agora, talvez alguém esteja feliz ou esteja cantando um belo blues ou ainda exista alguém que encontre em seu frágil mundo a magia de uma manhã de sábado que não permita o seu afastamento do que mantém sempre com a mesma magia da manhã.
G. A.
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