
Eu que durante muito tempo pensei ser a ótica de uma justiça infinda em fundamentos, eu que muito tempo fiquei cercada em acomodações e vestígios de amor, eu que muito tempo doei ao trabalho errôneo com apenas uma parte da mente que de tão lícita irritante era, eu.
Eu que quis ver o mundo de tantas maneiras indefinidas, de tantas formas irregulares, de cabeça pra baixo testando a tese de Alice, tentei imaginações fantásticas de irrealidade depois de tanta verossimilhança com estúpido mundo real;Eu.
Eu que em futilidades já me fundei e depois fundei teses sobre a origem desse erro, eu que não pude reconhecer-me nua durante muito tempo em frente ao espelho embaçado. Eu que não posso nem vou desfrutar inseguranças de uma vida que teria, caso pensasse em possibilidades. Eu.
Eu que adormeço em lenções de nuvens brandas, amigas sinceras que choram minha virtude. Eu que não devo mostrar minha face e durante tanto tempo evitei as máscaras bonitas. Eu que sou o que não devia ser, o que não posso, o que afeta, o que me mancha, o que encerra, o que desfaz e realiza e apaga e refaz e molda e molda... Eu.
Eu que não me meço em medidas favoráveis nem me agarro no desprezo ou careza, eu que sou aquilo que caminha sem sair do lugar, helicoides caminhos eternos que em espiral fazem meus erros, erros que aspiram a algo novo, ideal tão incompleto e estranho e paciente e tentador... O louco que desprende-se apenas, desfazendo seus feitos, convidando o desconhecido para dividir a mesa. Eu que incompleto me monto como semelhança ou indagação de vários eus que por aí vivem desatinando seus prazeres sob a tela protetora de um semblante que de tão mentiroso costumeiro se faz, seja bonito, seja feio é a capa modesta de um mundo de quimeras.
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