Os braços se deixaram cair, colidindo com o quadril magro e pesando os ombros já curvados. A cabeça olhava para baixo vendo as coxas descobertas onde as veias azuis mais pareciam desenhos de rios num mapa, rios que levariam a lugar algum onde batimentos quaisquer seriam invisíveis num dia como aquele. Ouvindo a cama rangendo levantou, nada a fazer, ninguém pra ver, a cabeça dolorida do ultimo gole do sábado e a TV na sala zunindo carros e uma voz conhecida. Pensou alguma coisa sobre o homem que estava na sala mas logo se esqueceu, enfim não conseguiu recordar o nome do rapaz.
Devaneio da noite à perturbou e agora era o que o sol fazia, ele entrava pelo quarto de tal forma que seus olhos quase fechados ainda doíam com tanta claridade, dirigiu-se ao espelho. Seu corpo nu nada de mais revelava, nem era atrativo nem era desprezível. Esguio desde a adaptação ao vício e marcado desde a culpa por este. Pensou no domingo, pensou na gentileza dos móveis velhos ainda aguentarem, pensou no homem novamente e seus pés a levaram a sala onde o tal rapaz num esforço quase imperceptível desviou o foco para a esposa, não com desprazer ou repulsa, seus olhos revelavam costume e confortabilidade, poi-se de pé e abraçou-a pra cair logo depois no sofá . Acabou.
Um choro a fez acordar assustada, levantando-se depressa indo ao quarto ao lado, o filho chorava mas acalmado pelo pai logo calou-se num sono, reparou o corpo maior e mais forte como também coberto pela camisola florida, contou do sonho ao marido.
"Acalme-se Carolina, foi só um sonho ruim", mas voltando ao seu quarto e observando os braços, calou os pensamentos nas marcas que ainda estavam lá e seus olhos ainda vazios surpreenderam-se com uma lembrança de quem sabe outra vida.
G.A.
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