quinta-feira, 13 de setembro de 2012



     Sufocada foi como morri. O cadarço de seu tênis  tirou-me o fôlego enquanto eu apenas admirava seu rosto ainda tímido em sua promessa.
     Quando pela última vez  senti o toque leve do ar adentrando meu corpo conhecido, tornei simpática a expiração fazendo com que a culpa de meus dias se dissipasse com o último suspiro. Ele me fez um favor. Levou-me para longe, um mundo diferente onde santos inexistem em realidade e utopia fantasia os dias, transforma os passos em versos de um poema infinito.
     Sentei e esperei, sabia eu que logo vinha me acompanhar, veio. Estendendo o braço para me dar a mão, sorriu felizmente o azul de uma história  de confusão e paz. Andamos pela morte tornando a existência o lado de cá -ou lá, dependendo de sua estação- Como companhia o companheiro que por assim se fazer se torna seu melhor.
     Sufocada foi como morri. O seu beijo sugando meu fôlego, minha vida e no entanto colocando-me numa nova realidade, enquanto eu admirava a beleza daquele momento, ele não mais tímido em sua promessa de fidelidade: matar-me eternamente sendo o meu melhor e quem saber envenenando-me com uma pitada de sua arte.

                                                                                         G.A.

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