quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O Velho

O velho ajeitou a câmera no apoio de forma que pudesse girar o instrumento em 360º sem quebrar a linha horizontal de visão.
A praça estava movimentada, algumas crianças  brincavam de roda, os jovens enamoravam uns aos outros e os velhos davam comida aos pássaros enquanto o dono expectava a tarde de domingo.
Dali do centro do conteúdo daquele subúrbio comparou em sua gravação as casas modernas que rodeavam a praça tão antiga e no entanto vítima de esmero.
Passou a tarde por detrás do foco, apreciando tudo se dissipar. O sol baixou ao Oeste impondo fim à cantiga. Como as crianças, os pássaros buscaram lar, o casal de velhos de mãos dadas e se foram assim como os jovens que abraçados seguiram adiante para fora dali.
Vazia ficou a praça. Desligou o objeto e andou até sua moradia.
Adentrou, a igualdade na disposição dos móveis o incomodou pela primeira vez em anos. Sentou-se, a poltrona fria e pequena, de forma inesperada o acolheu. Talvez lhe tenha ocorrido a ausência da mulher, dos filhos, dos netos. Ajeitou-se no assento e imóvel naquela sala escura e triste poi-se a ver a claridade e alegria daquela tarde, pela pequena câmera entre as mãos.
Logo veio o cansaço e o sono, dormiu como um filho nos braços da mãe.  

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