Respire menina, respire!
ah, o que foi que você fez?
onde estava estava sua sensatez
não estava você.
Não volta! Não reage!
Eis uma morte eterna?
Mas me lembro:
você sempre se fecha
se enterra
fazendo um teto de flores, vidros e verdades
mas volta
sempre volta,
vê o dia
o admira
o recria
Mas agora que a tanto tempo não respira,
começo a me preocupar
Fez então um mundo de silêncio e as vezes soluços
uma eternidade de sono e preguiça
sem criações
sem coisa alguma que seja sua.
Rege aqui a lei eterna de vícios propícios
mas você não pertence a isso
faz sua própria morada em seus arredores de falsas imaginações
mas que tornam seu universo
em um verso unido de verdades próprias
de modos e versões impróprias
e de linhas talvez não retas
mas suas.
Reaja Carolina !
Não faça de sua força pequena parte de você
retorne a seus caminhos
sem vinhos
embebede-se apenas de si
que já basta.
Volte como alguém que clama por si
como alguém que não teme o que a domina
não fuja da sina agarrada e engolida
fonte de sua saciedade.
Não seja a razão de um descaso
fuja para o acaso e encontrará abrigo
caso não volte, não recorde seus casos
nem ouse guarda-los em palavras!
Seja Carolina
Seja Gabriela
Seja sempre algo além das muralhas de qualquer sentimento qualquer sentido
Seja ou seja o sempre de qualquer coisa
Respire o constante de seu modo de vagar.
Volte para não mais dividir espaço que é só seu.
Não por herança nem por conquista
Mas por mero Acaso:
Como um dia qualquer
que nasce em qualquer lugar do lado de cá
seja meu ponto de vista entre duas montanhas
um dia novo e belo e sem interrogações
quase como um quadro nas paredes de minha essência.

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