quinta-feira, 8 de março de 2012

Eucaliptos


                A manhã nasceu fria com o som de Baudelaire aos meus insanos ouvidos. Maestria ao meu ver, enlaçar o leitor sozinho , o leitor cansado , o mesmo que espera o nascer de um sol mais quente e mais lúcido que consiga facilmente persuadir seus expectadores.
                O canto dos pássaros parece uma inalcançável alegria, a garoa embeleza os coqueiros, os pés de limão, de mamão, de couve como também o capim. Longe a mãe espirra e o cachorro lambe suar patas, perto a caneta insiste em borrar o papel que tudo suporta.
                O céu parcialmente nublado é o único elo com o infinito, já o finito insiste em  se apresentar prontamente em todos os dias úteis , em todas as conversas familiares , em todo conhecimento passageiro , em toda efemeridade dos achismos , em toda discussão desnecessária e em toda confusão desatada em que se perde o poeta buscando caminho entre o sempre e o agora , direções estas que mais parecem  incertos destinos.
                O cheiro de café flutua docemente: o dia vai começar. O galo cantou, a vó acordou , o padeiro trouxe o pão e o cachorro latiu , latiu com a borboleta que  passeava pelos ares ciente da beleza que proporcionava aos olhos de quem vê  realmente a beleza.
A mãe disturbada com a criação, pelo simples amor ao papel, finge a normalidade em expressões ensaiadas, mas a criação não julga sua presença e não muda a emoção em tê-la  pois seus olhos apenas se preocupam em percorrer o horizonte . Eucaliptos dançavam ao som do vento.
                                                          Gabriela Alves

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