quinta-feira, 8 de março de 2012

Feliz aniversário


Organizava minha biblioteca a fim de encontrar alguns documentos quando entre meus livros de poesia encontrei um envelope , não o reconhecia , estava velho mas chamou minha atenção ; recostei-me na poltrona e pus-me a abri-lo . Era uma foto , uma menina , cabelos negros assim como os olhos , um semblante curioso parecia-lhe comum ao seu lado um homem de meia idade , calvo , sereno . Ele abraçava a garota e a presenteava com um livro .Apesar do desgaste da imagem pude ler “O pequeno príncipe” , a frente dos dois um bolo , as velas sinalizavam o numero sete e os docinhos da mesa formavam círculos.
“Tio ! que bom que pode vir”, gritei  enquanto corria entre os convidados , indo ao encontro do meu contador de historias preferido , dei-lhe um abraço e puxei-o ate a mesa dos fundos onde fazia questão de tirar fotos com todos .Ganhei meu primeiro livro de verdade naquele inicio de noite .Depois de muito comer, brincar e conversar , os convidados começaram a ir embora .
Não passava da 8 e só restavam meus pais, meu tio e a mim naquela enorme casa , fizemos uma pequena roda e todos já previam que eu humildemente pediria “tio conta uma daquelas”, ele , não suportando a ideia  de não satisfazer um desejo meu  , me contaria sobre um amor ,ou alguma guerra ou ainda uma historia sobre algum herói .Para minha infelicidade , tudo foi diferente naquela noite.
O portão se abriu e eu acabei descobrindo o motivo dele ir embora mais cedo , estava sem seu carro e teria que caminhar até sua casa .
Andou ate  a metade da rua e virou-se sorrindo pra mim que dizia esperar novas visitas e que a próxima historia deveria ser ótima .Ele assentiu com a cabeça .De repente , como se a rua em frente a minha casa não  fosse uma das mais calmas da cidade , um carro surgiu em altíssima velocidade colidindo com meu tio que caía sem vida no chão ;os olhos esbugalhados em minha direção me fizeram ranger os dentes , enquanto uma almofada de sangue se formava em volta de seu corpo ; o caos em volta não me impediu de ir ate lá e perguntar “e agora ¿”mas antes que eu pudesse  esperar uma resposta minha mãe me afastou colocando-me junto a meu pai que ligava para autoridades e parentes .
A lembrança daquela noite as vezes me vinha , em sonhos , mas nunca forte como naquele momento em frente àquela foto; coloquei-a de lado e pus-me a procurar um livro , quando encontrei sentei-me novamente e iniciei a leitura “O pequeno príncipe...”
                                                                                                      Gabriela Alves


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