Organizava minha biblioteca a fim
de encontrar alguns documentos quando entre meus livros de poesia encontrei um
envelope , não o reconhecia , estava velho mas chamou minha atenção ;
recostei-me na poltrona e pus-me a abri-lo . Era uma foto , uma menina , cabelos
negros assim como os olhos , um semblante curioso parecia-lhe comum ao seu lado
um homem de meia idade , calvo , sereno . Ele abraçava a garota e a presenteava
com um livro .Apesar do desgaste da imagem pude ler “O pequeno príncipe” , a
frente dos dois um bolo , as velas sinalizavam o numero sete e os docinhos da
mesa formavam círculos.
“Tio ! que bom que pode vir”,
gritei enquanto corria entre os
convidados , indo ao encontro do meu contador de historias preferido , dei-lhe
um abraço e puxei-o ate a mesa dos fundos onde fazia questão de tirar fotos com
todos .Ganhei meu primeiro livro de verdade naquele inicio de noite .Depois de
muito comer, brincar e conversar , os convidados começaram a ir embora .
Não passava da 8 e só restavam
meus pais, meu tio e a mim naquela enorme casa , fizemos uma pequena roda e
todos já previam que eu humildemente pediria “tio conta uma daquelas”, ele ,
não suportando a ideia de não satisfazer
um desejo meu , me contaria sobre um
amor ,ou alguma guerra ou ainda uma historia sobre algum herói .Para minha
infelicidade , tudo foi diferente naquela noite.
O portão se abriu e eu acabei
descobrindo o motivo dele ir embora mais cedo , estava sem seu carro e teria
que caminhar até sua casa .
Andou ate a metade da rua e virou-se sorrindo pra mim
que dizia esperar novas visitas e que a próxima historia deveria ser ótima .Ele
assentiu com a cabeça .De repente , como se a rua em frente a minha casa
não fosse uma das mais calmas da cidade
, um carro surgiu em altíssima velocidade colidindo com meu tio que caía sem
vida no chão ;os olhos esbugalhados em minha direção me fizeram ranger os
dentes , enquanto uma almofada de sangue se formava em volta de seu corpo ; o
caos em volta não me impediu de ir ate lá e perguntar “e agora ¿”mas antes que
eu pudesse esperar uma resposta minha
mãe me afastou colocando-me junto a meu pai que ligava para autoridades e
parentes .
A lembrança daquela noite as
vezes me vinha , em sonhos , mas nunca forte como naquele momento em frente
àquela foto; coloquei-a de lado e pus-me a procurar um livro , quando encontrei
sentei-me novamente e iniciei a leitura “O pequeno príncipe...”
Gabriela Alves

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