A manhã
nasceu fria com o som de Baudelaire aos meus insanos ouvidos. Maestria ao meu
ver, enlaçar o leitor sozinho , o leitor cansado , o mesmo que espera o nascer
de um sol mais quente e mais lúcido que consiga facilmente persuadir seus
expectadores.
O canto
dos pássaros parece uma inalcançável alegria, a garoa embeleza os coqueiros, os
pés de limão, de mamão, de couve como também o capim. Longe a mãe espirra e o
cachorro lambe suar patas, perto a caneta insiste em borrar o papel que tudo
suporta.
O céu
parcialmente nublado é o único elo com o infinito, já o finito insiste em se apresentar prontamente em todos os dias
úteis , em todas as conversas familiares , em todo conhecimento passageiro , em
toda efemeridade dos achismos , em toda discussão desnecessária e em toda
confusão desatada em que se perde o poeta buscando caminho entre o sempre e o
agora , direções estas que mais parecem
incertos destinos.
O cheiro
de café flutua docemente: o dia vai começar. O galo cantou, a vó acordou , o
padeiro trouxe o pão e o cachorro latiu , latiu com a borboleta que passeava pelos ares ciente da beleza que
proporcionava aos olhos de quem vê realmente a beleza.
A mãe disturbada com a criação,
pelo simples amor ao papel, finge a normalidade em expressões ensaiadas, mas a
criação não julga sua presença e não muda a emoção em tê-la pois seus olhos apenas se preocupam em
percorrer o horizonte . Eucaliptos dançavam ao som do vento.
Gabriela Alves

Gostei desse também!
ResponderExcluirCris