Tudo se tornou tão difícil como
um quebra cabeça de variadas cores e peças infinitas .As horas mais lentas , os
dias mais quentes, o sabor mais amargo . Em casa me aprisiono no quarto , meu
refugio da família que busca meu bem em cobranças disfarçadas e sorrisos amarelos . Na escola tudo bem , me
sinto bem aqui.
Da janela alguns pés de abacate ,
macacos adoram abacate e é verão , o ventilador é meu único elo com o que se passa .
É aula de geometria , o professor
fala sobre diagonais , pontos ,
projeções . Bobagem! Mais problemas adicionados a dose fatal dos
questionamentos reais , dizem que os
tais , um dia me farão uma profissional . Mais que mecanicamente , busco um
suposto conhecimento .
Vejo alguns alunos participando ,
não me interesso : meus olhos pedem para ser fechados , meu corpo pede cobertas
e cama e minha boca nem ao menos tenta balbuciar algo , toda palavra é erro
porque é fruto do achismo.
Em meio a suposições obrigatórias
, ponho , suponho e exponho o que acho e desacho , as vezes tenho tanta certeza
a absoluta certeza. Ode aos números ! Necessários , ocultos , disfarçados , me
perco em toda aquela exatidão .
Doce matemática , do grego “
Mathema” significa estudo . Indo além
de números , símbolos , é o querer ir além , conhecer , aprender . Desejar o
raciocínio e liberta-lo de tal forma chegando à perfeição de uma igualdade .
A realidade tão impura não
permite tal sobriedade , apenas nos
disturbamos num sistema do qual somos escravos .
Segundo Hugo Couto “Quando
inferimos ou deduzimos um teorema matemático temos a absoluta certeza daquilo ,
não existe outro lugar onde isso seja perfeito”. Tamanho primor só pode ser
comparado a Arte , a perfeita Arte que não somente eleva o ser a algo utópico ,
bom verdadeiramente mas que eleva o ser a exata maestria .
Gabriela Alves

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