quinta-feira, 8 de março de 2012

Perfeição de uma igualdade



Tudo se tornou tão difícil como um quebra cabeça de variadas cores e peças infinitas .As horas mais lentas , os dias mais quentes, o sabor mais amargo . Em casa me aprisiono no quarto , meu refugio da família que busca meu bem em cobranças disfarçadas e  sorrisos amarelos . Na escola tudo bem , me sinto bem aqui.
Da janela alguns pés de abacate , macacos adoram abacate e é verão , o ventilador é meu  único elo com o que se passa  .
É aula de geometria , o professor fala sobre  diagonais , pontos , projeções . Bobagem! Mais problemas adicionados a dose fatal dos questionamentos reais , dizem que  os tais , um dia me farão uma profissional . Mais que mecanicamente , busco um suposto conhecimento .
Vejo alguns alunos participando , não me interesso : meus olhos pedem para ser fechados , meu corpo pede cobertas e cama e minha boca nem ao menos tenta balbuciar algo , toda palavra é erro porque é fruto do achismo.
Em meio a suposições obrigatórias , ponho , suponho e exponho o que acho e desacho , as vezes tenho tanta certeza a absoluta certeza. Ode aos números ! Necessários , ocultos , disfarçados , me perco em toda aquela exatidão .
Doce matemática , do grego “ Mathema”   significa estudo . Indo além de números , símbolos , é o querer ir além , conhecer , aprender . Desejar o raciocínio e liberta-lo de tal forma chegando à perfeição de uma igualdade .
A realidade tão impura não permite tal sobriedade  , apenas nos disturbamos num sistema do qual somos escravos .
Segundo Hugo Couto “Quando inferimos ou deduzimos um teorema matemático temos a absoluta certeza daquilo , não existe outro lugar onde isso seja perfeito”. Tamanho primor só pode ser comparado a Arte , a perfeita Arte que não somente eleva o ser a algo utópico , bom verdadeiramente mas que eleva o ser a exata maestria .
                                                                                 Gabriela Alves


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