quinta-feira, 8 de março de 2012

Vela velha



                                                                

O céu alaranjado servia de plano de fundo para a cidade onde habita  ‘A escola’ . O ônibus mexia e remexia meu corpo mas minha mente ultrapassava o alaranjado e chegava a um mundo escuro.
A minha boca sorria realmente de futilidades e meu cérebro se preocupava com o nível de conhecimento que armazenava . A estrada cheia de buracos tentava me trazer para uma realidade inútil onde um tal sistema civilizado deveria  cuidar dos benefícios à população , mas nesse momento nem a política nem a ausência dela me interessavam,  por que a cada metro de proximidade do destino eu mergulhava mais profundamente no que há de mais negro do negro mundo : a ausência da iluminação . Os questionamentos e indagações me perturbavam de tal forma , chegando a me cansar . Perguntas que a Escola nunca se disponibilizaria a responder .
O século XVIII é também conhecido como “século das luzes” com o início do iluminismo , cuja teoria principal é a crença no aperfeiçoamento baseado na razão ,  como também no avanço apoiado pelas ciências .Prefiro imaginar uma noite sem lua , onde chove e venta bastante , a eletricidade  acaba , tudo se torna um “breu” , até que alguém encontra na gaveta da dispensa uma vela velha . Se ascende , seu campo de visão passa do nulo para no máximo dois metros , mesmo assim o sentimento é de alivio e confiança no caminho de seus passos. O Iluminismo foi isso , o homem por si só  , aplicando conhecimentos , fruto da opinião racional , segurando uma luz própria .
A explicação dos seus pensamentos e a defesa dos mesmos tornou-se algo importante, creio eu que as complicações começaram aí  , o medo das desaprovações  religiosas na maioria das vezes não eram o bastante para calar a boca ou os pensamentos e embora a opinião própria hoje seja tão necessária e enraizada , ela proporcionou uma diferença ainda maior entre os povos e justamente a “Iluminação” foi o marco principal disto que hoje se torna um fato.
Neste momento me deparo com uma confusão de opiniões , não aprovo nem desaprovo , não falo certamente nem me calo totalmente , nem positivo nem negativo , como uma pilha sem carga.
O nosso rosto , o cabelo  , a forma do corpo e tantas outras características são resultado de uma mistura de tantas outras  passadas por aqueles que nunca conheci , um caldeirão de meus antepassados .Talvez a opinião deveria ser observada da mesma maneira, ligações de varias formas de pensamento que originariam outras , mas logo penso : se assim for , surgem novas e novas opiniões , a todo momento ; chegaríamos  ou voltaríamos ao estágio inicial então teríamos que novamente sofrer da mesma forma por tê-las? será que deveríamos ter uma opinião definida? ou será que nossas opiniões é o que nos definem?
         Creio numa vida além de algo certo , único ; onde o errado não exista  , o que exista seja diferentes verdades . Como uma vela velha  que se torna tão importante quando é a única fonte de luz.
                                                                           Gabriela Alves


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