sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Quando em Carolina


Vivia de coragem a triste órfã
perseguindo rabos de ratos do castelo
de pedra, purificava o afã 
de outros dias com os quais mantinha um elo

eterno, de vida ou de perseguição
vadiava o conhecimento
pouco e falso,  da mente de poluição,
das mortes consecutivas fazia lamento.

E não sangrava a pobre 
nem de pão nem de vinho
mas secava sua posse
de fazer-se na beirada do caminho

Quando lhe vinha a falsa mãe
hipócrita, vendava os olhos e tampava os ouvidos
do que exala inúteis argumentos
de fés infundadas.

E quando o pai sábio e morto
lançava um raio frio de olhar
aquietava em medo a subordinar 
àquele que se faz em irrisórios sentimento, adorno.

Aflorava a pequena seus dias
sem crença, sem fatos
sem coisa alguma que pudesse em seguras
terras manter seus fardos.

No acaso de um esmero ainda  fresco
talvez desconfortável e sucumbido ao temor
vivia em melancólica agonia num animalesco
cotidiano de falso amor.

Quanto aos ratos do castelo, não os alcançava
quanto a solidão desamparada em fingimentos, indiferente se fazia
Mas quanto ao real ,tristeza alçava
intermináveis voos interiores e sem alimento o corpo lhe ardia.

Sobrou-lhe  sentimento
talvez de uma coesão poética
já que de coragem vivia a triste órfã
quando em plena Carolina se fazia.

                                                           G.A.







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