Vivia de coragem a triste órfã
perseguindo rabos de ratos do castelo
de pedra, purificava o afã
de outros dias com os quais mantinha um elo
eterno, de vida ou de perseguição
vadiava o conhecimento
pouco e falso, da mente de poluição,
das mortes consecutivas fazia lamento.
E não sangrava a pobre
nem de pão nem de vinho
mas secava sua posse
de fazer-se na beirada do caminho
Quando lhe vinha a falsa mãe
hipócrita, vendava os olhos e tampava os ouvidos
do que exala inúteis argumentos
de fés infundadas.
E quando o pai sábio e morto
lançava um raio frio de olhar
aquietava em medo a subordinar
àquele que se faz em irrisórios sentimento, adorno.
Aflorava a pequena seus dias
sem crença, sem fatos
sem coisa alguma que pudesse em seguras
terras manter seus fardos.
No acaso de um esmero ainda fresco
talvez desconfortável e sucumbido ao temor
vivia em melancólica agonia num animalesco
cotidiano de falso amor.
Quanto aos ratos do castelo, não os alcançava
quanto a solidão desamparada em fingimentos, indiferente se fazia
Mas quanto ao real ,tristeza alçava
intermináveis voos interiores e sem alimento o corpo lhe ardia.
Sobrou-lhe sentimento
talvez de uma coesão poética
já que de coragem vivia a triste órfã
quando em plena Carolina se fazia.
G.A.
G.A.

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