quinta-feira, 15 de novembro de 2012

O canteiro

Acenei para o homem do outro lado da rua,
ele devolveu o aceno como quem esperava aproximação, abraço
sorriu, atravessou estre os carros até a menina de cara nua
que também sorria observando o moço que a mantinha como num laço

E não é que era mesmo um laço!
Talvez fosse o jogo estranho dos pés,
como a abraçava transportando-a para outro canto do espaço.
O fato é que a mistura era feia e bela ao mesmo passo.

Tocaram-se num abraço como quem conforta um mundo
imundo
esmiunçado em
mudos miúdos.

Ao lado daquele templo
faziam-se vivas  flores
no canteiro da esquina sendo
o elo sagrado entre a rua e os transeuntes

Haviam ali novas e velhas armações
umas  pálidas, inseguras
outras pedantes e já murchas

Haviam ali covas e berçários
de pura beleza
de dura incerteza.

Eram rosadas de vergonha,
vermelhas e tristonhas
aquele conjunto de órfãs histórias
de primavera ou de verão.

Isso ao lado de um espelho
feio e desarranjado
pintado de irritação.

Eram a moça,
a rosa
o homem,
e as pétalas no chão.

                                                                   G.A.






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