As vezes quando tudo se cala e resta apenas a lembrança, o sentimento que se tem é inferior, quase sonolento, sem fome e naturalidade novamente as coisas se iniciam num caminho obsoleto, seguindo para um confortável mundo de acaso.
E quantos mundos provenientes de diferentes acasos são possíveis? Sempre tive em essência a ideia viva de necessidade e que tudo era movido pela tragédia desta e no entanto percebo agora a verdadeira face do destino: o esperar.
No mínimo idiota ou infantil mas verdadeiro, pelo menos no meu mundinho fechado. Você acorda de manhã pega o jornal... você passa a viajar pelas ineficiências da política, pelo desmazelo do humano e os incidentes que isso causa e mais ainda persegue caras como se pulsasse para lê-las ou analisá-las, ainda mais seus rostos do que seus atos, o motivo de estar ali. Finalmente quando você já reclamou do tempo e do país em que nasceu você joga o jornal de lado e começa seu dia. Nem percebe que usa palavras parecidas com as que leu no jornal em seu diálogo, não percebe que lembra daqueles rostos durante o dia e não se importa ao comentar as notícias vividas por outrem desconhecidos, não se importa se derramou café na roupa enquanto se comovia com o acidente na estrada ou quando indagava números da economia. Você joga o jornal de lado.
Você passa a criar rotinas confortáveis e a esperar, esperar, esperar. Espera que o mundo mude e que você o leia no jornal. Não muda o seu acaso e torna assim seu caso mais um perdido dentre tantos.
É a sua cara que esta no jornal refletida nas diferenças entre o ladrão, o morto, o humorista, o policial, o artista, o editor... é você que não confere acasos mas os deixa fluir e espera...
No outro dia você acorda e sai no portão, pega o jornal do novo dia e poe-se a viajar novamente, inferiorizando o ontem desnecessário e impertinente, você não tem fome e se torna mesquinho na mesa do café enquanto divide a atenção entre os barulhos da esposa e o jornal. Você e eu somos a cara da necessidade, não importa no que finalize, mas a presença do acaso, do descaso é tão enraizada como o café da manhã de frente ao jornal.
E você espera o novo acaso do seu dia, da sua nova rotina a partir daí criada e eternamente sonolenta na incerteza fraca e esperada. Somos todos Pedros esperando o atraso do trem.
G.A.
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