sexta-feira, 24 de agosto de 2012

lembrança dele

 — "Cercados por muralhas" ele disse, não triste ou ofegante mas como alguem que chama o filho pra tomar café. Ele tinha aqueles ares de quem vinha de fora, mesmo sendo muito comum. Não tinha muitos segredos, mais se parecia com um confidente do que com qualquer outra coisa. Era belo diferente de todas as suas palavras.
Era um eco só que apenas seus desprazeres produziam.
Não era velho nem novo, nem meu ele era. Um amigo qualquer do qual não sei a procedência de atos ou dele mesmo, não conhecia a fundo criações mas respeitava.
Homem, talvez malfeito e cada vez mais desfeito e voltando a ser menino.
Veja só!
Um garoto andarilho de estradinhas de chão, as vezes chão batido, as vezes esburacado e as vezes intacto - quando caminhava em sonhos contentes de soluções fáceis e bonitas-
Firme de quereres, não de rumos,  tão inexatos como qualquer estação.
Onde está aquele 'ele' de ontem?
Infames eram os nortes dele e as confusões do pobre.
Mas mágica!
Ele sente, respira, e se desfaz como 'menos' aumentando-se de 'mais'.
Ele era bom agora, ele falava como quem convida alguem para seguir viagem, era como um vento soprando macio as arvores enquanto dormia o mundinho criado.
Ele era um confidente , não preso nem infeliz, apenas a cos tu man do se
com ele mesmo, enojando algumas coisas e desfazendo-se de outras.
Ele era alguem que sorria nervoso de como era inútil, frágil, ignorante e poeta
de números
mas valho em fidelidade
Homem enchido e não mais oco
Ele era aquele que falava das muralhas mas que conseguia sair delas sempre, mesmo que depois de um ou dois dias de porre de uma vidinha chula e assinalada num papel de escolhas inúteis.
-acho que já era meu a esse ponto-
mas não me lembro bem o que aconteceu depois.
Ficamos velhos , acho
mas não me lembro se mudamos.





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