Chovia , o céu nublado destacava aquele inverno como o pior em anos , a lama em volta era só mais uma característica da pequena e pacata cidade . Carolina caminhava a passos largos em direção a estação , a pequena bolsa de mão pesava e a capa que usava lhe dava uma alegria imensa em não ser reconhecida. O guarda-chuva a incomodava .
Chegou cedo , não passava das 16 e o trem demoraria ."Será que ele vem ?" , hesitara em fugir quando se viu diante da proposta , Marcelo a fizera depois de cadeiras e taças quebradas , não tinham lenços ou lenções , nem mesmo amor tinham , tudo se acabara junto com o respeito e honestidade , a solução encontrada era fugir, " mas fugir de que ?" , " de mim mesma!" , chegava sempre a mesma conclusão .
O banco onde estava sentada brilhava verniz , a época úmida exigia alguns cuidados. Acima de sua cabeça uma lampada velha ligada iluminava o que devia estar claro e não o estava por capricho do céu cinza . Abriu a bolsa encontrou um espelho , pequeno suas bordas foleadas com ouro "Oh riqueza , o que fez com o que me parecia eu?" , colocou-o frente a sua face , nem os olhos fundos nem a pele branca ,pálida eram características capazes de esconder sua beleza e mesmo depois de tanto tempo , lhe ocorria que os dentes não lhe eram vistos , nem mesmo ao comer , o que não ocorria frequentemente.
Um tempo se passou , Carolina observava agora a cor amarelada que a lampada velha proporcionava às mãos , mãos delicadas , macias que tantas vezes serviu de apoio para a cabeça quando esta precisava tão somente da amnésia dos dias , sorriu a lembrar da infância e de suas facilidades . Lembrou da mãe , do cheiro de café nas manhas claras antes da escola . "Porque crescer?" .Olhou para seu lado , um homem alto , moreno , parecia preocupado ou apenas culpado .
- Pronta?
Marcelo , com o olhar de eterna espera , o semblante sério sempre comportado e crítico . Ela acenava com a cabeça , afirmando a decisão. Alguns minutos e os dois de pé , em silêncio , parados se abraçaram como se tentassem confortar um ao outro; interrompidos então pelo sinal do trem , era os último para o embarque , olharam um nos olhos do outro , e como se num ensaio pensaram juntos que seria bom . num outro sentimento ainda desconhecido adentraram , estavam felizes. Fizeram o embarque tentando se esquecer da Vida até então .
Quando o trem se pôs em movimento , já sentados, foram vistos como um casal de desconhecidos , abraçados em uma só motivaçao : seria um novo começo ou um novo final. O relógio marcava cinco horas , estava quente ali dentro e da janela via-se uma nova tempestade se formando lá fora.
Gabriela Alves

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