sexta-feira, 9 de março de 2012

Ao poeta sonhador

                

                Durante a noite o sonho:
                Sentada no meio  fio
                Um som escuto
                Imponente
                Forte , um frio
                Era um caminhão
                Um menino
                Apoiado no painel
               
                Lá vem o caminhão
                Grande
Passou  , passa
E quando quase  ‘passará’ , parou
 O menino  desceu
Cresceu
Renasceu
Cansou
E si esqueceu

- quer ler um livro de verdade?
-quero.
As paredes tremem
Ao mesmo tempo que ouvidos
Na sala
Mandões , estranhavam
“não quero ser Fausto!”
 Se fecha a porta  o quarto
Se chove em rios o céu
Enquanto o Fora Escuro  finge a felicidade alheia
O Dentro Medo  deita
Fecha os olhos
Morto:
Mas cadê ?
Onde está o poeta que me fez nascer?
Procuro :
 Gaveta de meias
Entre os perfumes
           Dentro dos livros:
  História ? não
Física ? quase
Oh! Filosofia , porque não revela  dos teus filhos o esconderijo ?
Me canso

Café e papel
Confortam o escritor
Que se questiona
Que coça a cabeça
Que se dói da cabeça
Pergunta:
Não soluciona
Deixa:
Não meça

Acima o gênio  controla
O conto
Do velho
Da vitrola o samba antigo

Mas cadê?
Onde está o poeta que me fez nascer?
Seja lá de onde surja
Que sua mão suja
Valha um dia
Os sacrifícios do poeta  escondido
Os sacrifícios do poeta sonhador 

                                               Gabriela Alves
                                                                    Dedicado à Hugo Carvalhaes

          






2 comentários:

  1. Nossa!
    Esse eu gostei muito!
    Podemos conversar sobre o título?

    Cris

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  2. Podemos sim , fico feliz por ter gostado já que isto remete que seja um bom texto.

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