segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Constatação


                                                                                            
           
             O dia escuro mantinha tudo estranho. Ele comovia os objetos colocando neles um ar nobre, antigo; era uma demão de rusticidade necessária para contrapôr o cinza que imperava sobre a Terra.
               A terra formava uma mistura bonita, um barro bem feito , o que deus usou para formar Adão, esse escorria ao lado das causadas ausentes de qualquer vivência, sem lembranças. Ninguém ali passou corrido angustiado em busca de um amor, nenhum cão procurou ali repouso e lar, não havia nada nas causadas, só a expectativa de sentir a chuva lavar também sua ausência de alma.
              Na casa onde eu pude presenciar a vinda da chuva, continuou o passe: nada mostrava-se verdadeiramente. Havia ainda réstias do sol ardente e claro de um ontem ainda pouco genuíno salvo apenas pelo sentimento de um casal apaixonado pelas irrealidades do mundo, mas como este nenhum mais existia.
              Era tempo de muitas tempestades, com o barulho bonito da chuva tudo tomava pra si sonolência e sonhos, transportando pra longe as certezas.  Tudo dormiu nesse dia e até aquele casal bonito se distanciou, sobraram apenas os pássaros cantando alto aos céus em agradecimento pela água infinda que os lavou de seus encantos.
           
            Mas depois de tanto, a brisa me secou a boca, me arrepiou a pele, embaraçou meu cabelo, me elevou aos céus e eu pude ver  que depois do cinza tudo é azul, e todo aquele blues consome o ser até que reste apenas o espírito fraco e louco, talvez indecente, porque toda a carne já não importa é dela que não se tem a fidelidade, é ela que não se mostra, é ela que dorme, dorme sempre e nunca acorda até que o sol a alimente de esperanças poucas é quando se estende enganando a todos com suas maravilhas, rogando pra si o não engano de uma novo temporal

                                                                                                               G.A.

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