quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Ao viajante morto

Morreu o pobre viajante de pés calejados.
Morreu como não se deve morrer um homem,
como um animal por sua própria criação abandonado
e como quem já olhava para vida com desdém.

Morreu o pobre feitor de questionamentos
pelos quais possuía maiores sentimentos,
construídos a partir da reclusa ordem Ser,
poderia colocar-se em outra lida
no entanto nesta- talvez erroneamente-
decidira permanecer.

E era tão forte o seu lamento
que explodia de tempo em tempo
e já era de isso se esperar
porque paixão tamanha
só concedia um fim: enfadar.

A tolerância já pequena
tonava-se tendenciosa à anulação,
não só da apreciação
mas sangrava a alma do ser: Geena.

Desistência do que se ama sem ganância
e mal sabe da existência do sentimento
quando o que trazia não era alimento
mas desordem, confusão como garantia.

Não se pode esquecer.
Existia aqui um ser.
Amava? sim.
Amava fazer o que sabia fazer.

Morria de tempo em tempo: certo
Mas essa é decorrência do afeto
como flor em seu entretempo
ora apenas bela, ora exala olor.
                                                              G.A.


Um comentário:

  1. A descrita de uma agrura que quase se toca com as mãos - eu me apaixonei pela obra

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