quarta-feira, 14 de março de 2012

Oh , vamos voltar ao começo

  
Zeca cantava Versos Perdidos enquanto a grande esfera ao Norte nascia. O ônibus sacudia minhas lembranças: na noite anterior ofendi um grande amigo lhe dizendo a verdade , não poderia ser pior.
As nuvens se inundavam num tom cinzento com um plano de fundo amarelo e uma chuva fina caía de uma nuvem mais grossa. Me senti sozinha, o friozinho da manhã invadiu minhas narinas passaram pela traqueia , chegando aos brônquios , nos bronquíolos o oxigênio se ligou às hemácias que o levaria para o restante do corpo fazendo-o resfriar totalmente. O  restante dos ares inalados também se ligaram com hemácias que os levariam pelo caminho de volta . Minha expiração saía quente pelas fossas nasais. Escutava o som nítido de minha respiração enquanto observava meu modo de tocar a lapiseira.
A estrada era bonita, pequenas florestas de eucaliptos se intercalavam com extensões de campos. ” As frases são minhas / as verdades são tuas” Tradução de tudo que sentia naquele momento, não me arrependera dos acontecimentos da noite passada   , mas temia a sinceridade usada . Por alguns segundos  meus olhos viram meus olhos através do retrovisor interno do ônibus, estavam tristes, secos, as olheiras se faziam presentes parecendo me envelhecer, a franja tampava minha testa e minha boca brilhava num batom vermelho  melancia. As unhas curtas sinalizavam a ansiedade que a atormentara durante a noite , parte feita de insônia e parte feita de sonhos estranhos .
A cabeça doía com pensamentos de findas, estava realmente triste. Do lado de fora o Sol mudara sua posição , o ônibus se remexia menos enquanto a paisagem ficava mais lenta . Cold Play cantaria The scientist. E eu só gostaria de um “está tudo bem”.
                                                                                      Gabriela Alves

Nenhum comentário:

Postar um comentário