sexta-feira, 30 de março de 2012

Poema dedicado à Graça e à graça


Diz Graça:
onde está toda aquela lucidez comum aos meus dias?
aquele gosto pelo real , onde o perdi?
Nada é tão engraçado como era 
Graça , graça já não há no jogo
tudo foi-se 
foi-se embora
o risos, bobos
a alegria, falsa
a esperança, que nunca tive

Graça , 
ainda sinto frio 
sinto medo 
sinto , eu sinto 
sinto a solidão percorrer meu corpo 
o que aconteceu?
porque aconteceu?

Tudo sempre acaba aqui 
este é o fim:
o café,
o papel,
a dor na cabeça e nos ombros, 
a tola escrevendo tolices 
achando-as tudo menos tolices
tolices que só importam a tal
tão somente ao verme 
ao verme que só procura se sentir melhor

O chão 
nele tudo é mais fácil
a pequenez é aceita
a confusão também 
O céu
não me vejo lá
inalcançável,
um sonho,
e consciente que apenas sonho
o chão se torna mais confortável 
me mantem sem cobranças .

Pode chover
a chuva não me lavará os pecados.
Pode fazer sol 
o sol não secará meus desejos.
Pode ser que tudo continue igual 
menos eu 
mudar conforme si mesmo 
uma valsa onde se dança sozinho 
estranho né Graça ?
a graça é que :
não existe falsa modéstia
existe interesse 
não o tenho.
Se o chão é o estado atual é também o limite
que seja todo percorrido,
conhecido, 
vasculhado, 
entendido. 
Que seja amigo dos que reconhecem nele 
a si mesmos 
O chão é só mais um espelho para os que nele caminham 
mal sabendo
tomar um norte em direção a si mesmos .

É na surrealidade que se encontra muito do real
Diz Graça :
do que se trata ?
porque parece estar em mim?

                                                                             Gabriela Alves

2 comentários:

  1. Consegui enxergar-te perfeitamente aqui:
    Tudo sempre acaba aqui
    este é o fim:
    o café,
    o papel,
    a dor na cabeça e nos ombros,
    a tola escrevendo tolices
    achando-as tudo menos tolices
    tolices que só importam a tal
    tão somente ao verme
    ao verme que só procura se sentir melhor

    E este é o Ápice da minha identificação. Sei como é, por isso gostei. (E gostaria de qualquer jeito mesmo.) Sem mais palavras, porque os elogios me fugiram à mente, e que fiquem lá quando retornarem.

    Beijo, poeta!

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  2. Poeta confesso que não me surpreende essa semelhança (aliás não tem me surpreendida estou convicta que somos gemias e mães e pais diferentes é só um detalhe , rs) , fico feliz por ter gostado .
    beijo!

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